Uma nova realidade no campo depois de anos e anos de lutas na cidade. Apesar de ainda muitos produtores de cana não acreditarem e não aceitarem o fim da queimada, o corte manual está com seus dias contados em lei. Vai acabar mesmo ou ficará restrito a poucas áreas! E todos vão ganhar, o homem e a natureza.
Com o término da prática centenária de queimar a palha, vai desaparecer também a figura do boia-fria, dos alojamentos precários sem cama e colchões limpos e até sem água. Sairá de cena o "gato", o intermediário na contratação de cortadores de cana, muitos deles vindo de outros estados na esperança de ganhar muito dinheiro e enviar as suas famílias. Fim também de muito trabalho escravo na lavoura canavieira.
A nova fase da principal cultura do Estado de São Paulo já começou a reduzir, paulatinamente, o número de cortadores de cana nos campos. Em Piracicaba, um dos principais centros produtores paulistas e do Brasil, eram 38 mil em 2003, passando para 22 mil em 2007 e 18 mil há dois anos. Muitos trabalhadores já procuram outras profissões ou a qualificação dentro do próprio setor.
No Brasil e no mundo já não se admite mais o consumo de produtos que têm em sua origem a exploração do homem. Além disso, os compradores exigem ainda a comprovação de que o meio ambiente não está sendo desrespeitado. A queimada da cana, comprovadamente, vem poluindo o ar há anos, matando várias espécies de animais e, com a aproximação da cultura dos centros urbanos, provocando doenças respiratórias que podem levar à morte. Uma nova realidade está surgindo para o bem de todos.








