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Reflexões
 

Entressafra da cana amplia demanda social

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Desempregados após fim da safra ou à espera da próxima, cortadores de cana buscam mais ajuda de prefeituras da região
De acordo com a Pastoral do Migrante, a demanda por ajuda deve crescer ainda mais em breve, por causa da antecipação da safra
Desde dezembro, cerca de 40 pessoas formam em Serrana uma frente emergencial de trabalho. Fazem a varrição das ruas da cidade por quatro horas ao dia, ganham a metade de um salário pelo serviço e, de quebra, ajudam a aliviar a entressafra de empregos na cidade.

A preocupação da prefeitura é que essas pessoas, desempregadas após o fim da safra de cana-de-açúcar ou migrantes de outros Estados recém-chegados na região à espera do novo período de colheita, não dependam unicamente da assistência social pública até que consigam colocação nas usinas e canaviais, segundo Silvia Manfrin Garavazzo, secretária do Fundo Social de Serrana.
Como Serrana, outros municípios canavieiros da região enfrentam durante a entressafra uma demanda maior por serviços públicos, principalmente na área de assistência social e saúde. Cestas básicas, leite e remédios são os itens mais requisitados pelos desempregados e suas famílias nessa época, de acordo com prefeituras ouvidas pela Folha.
Em Serrana, a demanda por cestas básicas cresceu 30% em janeiro. Em um mês do período de safra, são distribuídas entre 150 e 200 cestas de alimentos. "Quando chega em março e abril, esse aumento chega a 50%, diz Garavazzo.
Cidade com o segundo maior saldo de desempregados da região em dezembro -foram fechadas 7.284 vagas no último mês da safra para a maioria das usinas- Pontal tem na saúde um de seus principais gargalos, segundo o prefeito Frederico Venturelli (DEM).
"Durante a safra, 70% dos moradores da cidade, por causa dos contratos com as usinas, têm planos de saúde. Na "parada", essa proporção se inverte", afirmou o prefeito.
Com 3.636 empregos perdidos em dezembro, principalmente na agricultura, Sertãozinho enfrenta situação semelhante a cada entressafra.
"No ano passado, fizemos um levantamento da demanda para podermos dar atendimento para essas famílias. A maioria não é cadastrada na prefeitura, mas chega na entressafra e precisa de cesta básica, leite e remédios", disse a secretária da Assistência Social, Edna Garcia da Costa.
Para a região de Cruz das Posses, área onde se concentram casas e abrigos de cortadores de cana na cidade, já começaram a ser enviadas 30 cestas básicas a mais do que o fluxo normal, segundo Costa.
Em Pitangueiras, onde foram cortadas 3.549 vagas de trabalho em dezembro, a prefeitura já prevê a demanda maior por serviços sociais na entressafra para evitar problemas no atendimento e no Orçamento, segundo a chefe de gabinete da Assistência Social, Aline Borges Lopes.
De acordo com a irmã Inês Facioli, da Pastoral do Migrante, a demanda por esse tipo de ajuda deve começar mais cedo neste ano, por causa da antecipação da safra. "Hoje [anteontem] saí na rua e já vi gente chegando [de outros Estados], pedindo colchão", afirmou.
 

Romaria dos Migrantes 2009

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