A Igreja precisa estar onde está o povo que mais necessita de seu apoio. Os migrantes temporários rurais constituem uma das partes mais carentes desse povo.
Organizada pela Pastoral do Migrante de Guariba, esta missão aconteceu de 09 a 17 de janeiro de 2010, em comunidades rurais das duas paróquias de Porteirinha, região norte de Minas Gerais e envolveu 01 padre e 03 seminaristas scalabrinianos, 02 seminaristas da diocesanos de Jaboticabal e 01 padre de Porteirinha. A estes, foi sendo incorporado um número significativo de colaboradores leigos e leigas de cada localidade onde se deu o evento.
A missão teve os mesmos objetivos das anteriores, ou seja: visitar famílias de migrantes, ouvir suas experiências com a migração, sentir seus reclamos e anseios, falar-lhes das atividades que a Pastoral desenvolve em favor dos migrantes temporários rurais e de outras categorias de migrantes, em nome da Igreja. Contudo, a oração seguida da bênção das famílias e de sua casa, de suas roças e animais, constituía-se no momento mais significativo de cada visita. No momento da despedida, eram distribuídas mensagens de recordação da missão visitadora. Encontros, reuniões e celebrações litúrgicas nas capelas da cada comunidade, também foram ocasiões marcantes e contribuíram para as pessoas entrarem no clima e no espírito da missão. Veja as fotos
Esta missão também teve a finalidade de ampliar e consolidar a necessária proximidade e intercâmbio que devem sempre existir no campo da ação missionária e pastoral da Igreja no Brasil, cujas experiências já estão acontecendo entre dioceses da origem e do destino da migração, embora ainda bastante tímidas e limitadas. Estas iniciativas ganharam maior impulso após a realização de encontros entre representantes de dioceses de origem e destino da migração em foco, pastorais sociais, entidades e estudiosos, eventos promovidos pela Pastoral do Migrante de Guariba, com o apoio da Província São Paulo dos padres scalabrinianos, do Serviço Pastoral dos Migrantes (SPM) e da CESE. O próximo Encontro Intereclesial de caráter nacional acontecerá na cidade de Goiás-GO, de 19 a 21 de Maio.
O principal motivo que deu origem a esta iniciativa missionária da Pastoral do Migrante é o fato de que milhares de pessoas a sós ou com suas famílias emigram há muitos anos do Norte de Minas para o trabalho temporário nas colheitas de cana e de café em todo o Brasil, cuja duração é de 9 e 5 meses respectivamente. A Igreja precisa estar onde está o povo que mais necessita de seu apoio. Os migrantes temporários rurais constituem uma das partes mais carentes desse povo.
Os missionários encontraram a maioria das pessoas migrantes em suas casas, pois neste período elas já tinham retornado, ora para cuidar de seu gado e trabalhar em seus roçados, ora para descansar e passar momentos festivos e de sadio lazer com seus amigos.
As roças estavam bem desenvolvidas na ocasião, mas os plantadores já manifestavam bastante apreensão devido à demora da chuva salvadora chegar. “Esta é a rotina que passamos todos os anos quando voltamos aqui. Ninguém nunca se cansa de esperar. A gente planta e fica esperando o tempo ajudar. A nossa roça já está murchando pelo sol muito quente e o chuvisqueiro de ontem à noite ajudou pouco. Eu tenho fé de colher alguma coisa da roça que plantei em dezembro para não ter que comprar na cidade” relatou José Antonio Borges, com voz cansada, 54 anos, da Comunidade do Salobro e há 27 anos ininterrupta emigrando para a colheita de cana, em lugares e usinas citados por ele um a um. José ainda trabalhou sob o peso de muitos sofrimentos e privações, durante 9 anos em carvoarias no serrado de Mato Grosso e em Minas, anos que ele comparou aos do tempo da escravidão.
Os missionários encontraram em Porteirinha um cenário muito acolhedor por parte do Pe. Eliezer Lima da Fonseca, que hospedou com alegria serena na casa paroquial toda a equipe missionária no primeiro e no último dia da missão. Porém, o calor humano com que cada família acolheu em sua casa um missionário, é muito digno de consideração e registro. É muito agradável lembrar que as famílias que abriram as portas de suas casas para hospedar e alimentar um missionário, também foram missionárias, assim como as pessoas que acompanharam cada um deles sob o sol escaldante daquela semana, para cumprir um calendário de visitas e outras atividades da missão na sua comunidade.
Este clima agradável contribuiu para que a missão alcançasse os resultados esperados para o bem do povo de Deus migrante e para o aprendizado dos missionários. Damos graças a Deus por tudo o que aconteceu naquele período!





